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O Ministério da Saúde confirmou, nesta terça-feira (17/3), a morte de um homem de 62 anos por COVID-19 e o registro de outros 291 casos em todo o País. Com isso, a preocupação com a doença vem aumentando e dúvidas surgem entre a população. Para responder às diversas perguntas em torno do novo coronavírus, o JC1 recebeu os infectologistas João Prats e Maria Beatriz Dias. Confira as dicas:

Por que o novo coronavírus é perigoso?

De acordo com Prats, a preocupação com relação à epidemia é com as pessoas consideradas do chamado grupo de risco, ou seja, idosos ou pessoas que tenham baixa imunidade por conta de outra doença, como câncer, diabetes, HIV, doenças cardiovasculares, entre outras. “Você tem menos ferramentas para combater o vírus, então, a gente espera que ele se desenvolva mais, tenha um número maior de cópias, mais vírus, acometa mais órgãos e aí é uma infecção mais grave”, explicou o doutor.



Como está o avanço da doença no Brasil?

Com o aumento rápido do número de casos confirmados de COVID-19, a população começa a se preocupar com o rápido avanço da doença pelo Brasil. Segundo o infectologista, esse crescimento é esperado, já que essa é uma grande tendência das epidemias. “Geralmente, seguem um grande aumento, ele começa com um aumento lento e, uma vez que você tem uma transmissão sustentada, [...] a gente começa a ver um aumento muito grande e aí atinge-se um platô, em que existe muita transmissão da doença”.

Também é esperado que após atingir o pico, o número de casos venha a diminuir em alguns meses, até estar sob controle. Prats ainda lembra que o Brasil é um lugar muito heterogêneo, então, em lugares maiores e que recebem mais visitantes, como São Paulo, o impacto deve ser maior do que em regiões mais afastadas das capitais. “Acho que as próximas semanas vão dizer isso para a gente com mais clareza”, comentou.


Quais são os sintomas e como é feita a prevenção?

Dentre os sintomas estão febre (acima de 37,5°C), tosse, espirro, dor de garganta e falta de ar, segundo o Ministério da Saúde. Para se prevenir, o infectologista indica a boa alimentação, bom sono e a higienização das mãos. É importante lembrar que esse vírus não fica muito tempo no ar, mas sim nas superfícies de contato. Por isso, é preciso higienizar também os objetos com desinfetantes à base de cloro ou de álcool, segundo explica Maria Beatriz.

A infectologista também indica que não sejam compartilhados copos, talheres e demais objetos de uso pessoal, e lembra que a máscara não serve para ser usada como prevenção da doença, sendo destinada somente para quem tem os sintomas e para os profissionais de saúde.

"O mundo inteiro, inclusive os Estados Unidos que é um país riquíssimo, está sofrendo com o desabastecimento de máscaras tanto cirúrgicas quanto N95. [...] Então, é aquela questão: nós somos parte de uma comunidade, então, a gente tem que ter um pouco desse sentimento".



Como a doença é altamente contagiosa, ou seja, é transmitida muito facilmente, Maria Beatriz também lembra a importância de que seja feito o distanciamento social, já que os assintomáticos também transmitem o vírus.

“O distanciamento social visa diminuir a velocidade de implantação desta epidemia. Eu acho que, neste momento, está todo mundo muito pressionado, todo mundo muito assustado. O ideal seria que as pessoas fizessem uma certa reflexão, calmamente, pensando: ‘como eu posso contribuir?’”, explicou.

Mas e aquelas pessoas que precisam pegar transporte público? De acordo com Prats, pessoas do grupo de risco devem evitar ao máximo usar esse meio de locomoção, ficando em casa ou usando aplicativos de carros particulares. Já quem não se enquadra no grupo de risco deve sempre prezar pela etiqueta da tosse quando estiver não só no transporte mas em qualquer lugar público.

“Se tem alguém tossindo, ficar mais longe, levar seu álcool em gel para passar na mão e em todo o lugar que você encostar. [...] Se você estiver doente, resfriado, com sintomas de gripe e precisar sair de casa, a ideia é colocar uma máscara, [...] ela não é boa para te proteger, mas evita que você tussa para outras pessoas; ou, pelo menos, cobrir com o braço ou com a mão, enfim, e depois higienizar, não espirrar nos outros”, indicou.



Mulheres grávidas e crianças fazem parte do grupo de risco?

De acordo com Maria Beatriz, as grávidas não integram o grupo de risco, já que apresentam o quadro clínico suave e ainda não há evidências de que a doença possa passar para o feto. O risco maior é de que, caso a gestante pegue o COVID-19, ela desenvolva quadros graves de outras doenças e que podem ser mais prejudiciais, por isso, é importante que essas mulheres também obedeçam às medidas de distanciamento social.

Assim como as gestantes, as crianças também apresentam quadro leve da doença, porém a preocupação, nesse caso, é com a transmissão da doença para as pessoas do grupo de risco, de acordo com Prats.

“Tem sido um quadro mega leve ou muito tranquilo para as crianças. O problema é com quem as crianças têm contato e essa tem sido a preocupação das autoridades, se essas crianças vão passar para as outras pessoas”, explicou o infectologista.


Como é feito o exame?

O exame para que seja detectada a doença é feito por meio de uma “reação molecular de cadeia de polimerase”, de acordo com Maria Beatriz. A coleta é feita com um longo cotonete, que é colocado no nariz do paciente para que seja raspada a secreção presente na nasofaringe. “Não é agradável e deve ser feito só em pessoas sintomáticas”, comentou.


Por que ainda não há vacina?

De acordo com Prats, as vacinas e remédios não são tão simples de serem desenvolvidos, especialmente considerando que trata-se de um vírus que surgiu recentemente. O infectologista avalia que, após muitas análises e estudos, a vacina deve ficar pronta em torno de um ano.

“O que que tem de muito bacana em 2020? Todo mundo está se comunicando e trabalhando junto. Então, tem informação de todos os países do mundo sendo trocada entre os cientistas para tentar desenvolver uma vacina o mais rápido possível. Nós estamos em uma verdadeira corrida e, hoje, essa corrida é muito mais rápida, muito mais interessante do que era, por exemplo, em 2009, com a H1N1. Então, a gente está em um desenvolvimento muito rápido. Todo dia sai alguma coisa”, comentou Prats.