Fundação Padre Anchieta

Custeada por dotações orçamentárias legalmente estabelecidas e recursos próprios obtidos junto à iniciativa privada, a Fundação Padre Anchieta mantém uma emissora de televisão de sinal aberto, a TV Cultura; uma emissora de TV a cabo por assinatura, a TV Rá-Tim-Bum; e duas emissoras de rádio: a Cultura AM e a Cultura FM.

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Sexta-feira, 22 de junho. A disputa entre Brasil e Costa Rica, na segunda rodada da Copa do Mundo 2018, começava às 9h. Naquela manhã, os jogadores Philippe Coutinho e Neymar marcariam os dois gols, feitos no acréscimo do segundo tempo, que finalizariam a partida.

Em Osasco, Renato Rodrigues, Vinícius Alves, Beatriz Canuto, Helio Fonseca e Carlos Junior vibravam com o placar do jogo. Se você assistiu ao campeonato, pode estar se perguntando o que isso tem de diferente da sua comemoração. Te dizemos: com suas mãos em um campinho de futebol em miniatura, feito de madeira MDF, forrado com EVA e desenhado em tinta 3D, Carlos Junior, surdocego de 31 anos, testemunhava todos os movimentos que aconteciam em campo, em tempo real.

Como? Ele foi orientado por seus amigos e guias-intérpretes de sinais, que comemoraram cada instante ao lado dele, durante os 100 minutos de jogo. Segundo Beatriz “é um trabalho muito prazeroso, mas também cansativo. Exige bastante atenção e o Carlinhos é um rapaz com muita energia, que vibra bastante e está ligado em todas as informações do jogo, até mesmo antes dele começar”.

Com a intenção de mostrar para as pessoas como um surdocego acompanha um jogo da Copa, Helio postou em seu Facebook, em 2014, um vídeo que viralizou na internet. Quatro anos depois, ele fez a mesma postagem, com o vídeo atualizado. Mas desta vez sua intenção foi diferente: “eu quis mostrar que, além de mim, outras pessoas também ajudam na guia-interpretação de sinais”. A postagem já chamou a atenção de mais de um milhão de pessoas.

Enquanto as mãos de Carlinhos simulavam os movimentos dos jogadores, em suas costas, por meio da comunicação tátil e háptica, ele ficava sabendo quem e de qual time era o jogador, se foi pênalti, gol ou falta, por exemplo. “Ele entende as coisas por meio da sinestesia, que é como o corpo traduz a sensação. Não dá para um ouvinte ou um vidente, por exemplo, terem a mesma sinestesia que o Carlos. Mas ele continua entendendo o mundo da mesma forma que essas pessoas. Não é porque ele é cego e surdo que ele é menos do que alguém que pode ver e ouvir”, diz Helio.

Renato Rodrigues, guia-intérprete, comenta o sucesso do vídeo: “foi algo muito inusitado. Eu não estou acostumado com isso, não sou um cara HighTec. Mas eu fico muito feliz; primeiro, porque estamos recebendo mensagens de carinho, apoio e reconhecimento de várias pessoas e lugares; segundo, porque estamos ajudando e trazendo um olhar mais empático dessas pessoas”.

Tanto ele quanto Hélio e Beatriz trabalham no núcleo de Acessibilidade da TV Cultura. Todos afirmam com bastante orgulho a importância deste trabalho dentro da emissora. De acordo com eles e com Renato Bacci, Coordenador de Pós Produção, a TV Cultura é precursora neste tipo de atitude.

Muitos podem não saber, mas a maioria dos surdos não entende a língua portuguesa. Assim, a interpretação de libras em programas como o Jornal da Cultura e o Roda Viva, por exemplo, leva, além de respeito, informações muito relevantes para a comunidade surda, ampliando seus conhecimentos gerais e possibilitando, por exemplo, um melhor desempenho em provas como o ENEM.

Além da leitura em libras, a TV Cultura promove um serviço de audiodescrição e de Closed Caption, um sistema de legendas transmitidas via sinal de televisão. Programas como Jornal da Cultura, Roda Viva, Repórter Eco, Persona em Foco, Metrópolis e Vamos Pedalar possuem intérpretes de libras em suas primeiras exibições ou em horários alternativos.