Fundação Padre Anchieta

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Faz tempo que ele já não é o mesmo. Em outras épocas fazia um homem feliz com um calçado roto, empoeirado e, acreditem, até de pés descalços. Teve, desde sempre, um ar nobre Mas trazia na alma algo de popular. Era figura fácil. Não foi por acaso que por estas plagas em determinadas gerações veio a ser a brincadeira-mor da garotada. E foi de tamanha simbiose com o nosso povo que, algumas décadas depois de ter chegado, se fez seu retrato, sua cara. Um desavisado qualquer pode até achar que isso não passa de um modo figurativo de expressar essa relação. Não é. Com sua grandeza foi além, muito além. Fez fama planetária.


Mas a verdade é que o sucesso o transformou. Tornou-o afetado, talvez, não sei. O que eu sei é que a cada dia que passa tentam fazer dele algo mais exclusivo. Normal, portanto, que diante disso acabasse se distanciando de sua essência. Seus trajes andam cada vez mais caros. Uma camisa dele custa o que para muitos seria, e é, uma pequena fortuna. E que não venham lhe falar em camisas de algodão. Essas, faz tempo, deixou de usar. Um sem fim de tecidos sintéticos foram criados só por causa dele. Cujos criadores tiveram a audácia até de bolar algo que não deixasse mais nem o suor lhe pesar sobre o corpo. Graças a esse seu apetite para o requinte as chuteiras pretas, que outrora lhe eram quase uma marca, praticamente foram legadas ao esquecimento.

Agora vejam, se faço esse relato é para avisá-los que vocês não devem se deixar levar pela aparência. Este senhor, pode ter alcançado um sucesso que nenhum outro semelhante seu ousou alcançar, mas infelizmente está longe de ser um exemplo moral. Sua única desculpa, se é que há uma, é a de refletir a pequenez dos homens que o cercam, a sociedade que o abraçou. Está longe de poder ser considerado transparente, embora insista em trazer consigo um discurso forte que tanta convencer a todos dessa sua intenção. Serve a um dono. E este é um detalhe importante. Juraria que ele é um homem bom, infinitamente bom, mas cruelmente corrompido por aqueles a quem entregou seu destino. Tivesse o mínimo de decência trataria homofobia, como trata o racismo. Mas o que vimos nos últimos dias foi o futebol acovardado diante de um suposto caso do tipo.

Um jogador ameaçado em sua chegada com bombas. Com todas as instâncias envolvidas fazendo vista grossa ao ocorrido e apenas uns poucos da imprensa fazendo questão de não deixar o fato passar em branco. O alvo de seu preconceito foi um jogador que demonstrou ter confiança em si mesmo avisando que a resposta será dada em campo. Que o ambiente hostil não lhe intimide. O ameaçado não é um qualquer jogando bola. Tem títulos expressivos. Diante do fato a conclusão é óbvia. O futebol, por incrível que pareça, vai deixando evidente que anda mais atrasado do que a nossa própria sociedade. Que está longe ser moralmente moderno, digno do que o nosso tempo pede. Dá a impressão que segue com a capacidade de ser sensível às diferenças trancada em algum armário. Um armário que nem ele abre, e nem permite que seja aberto.