Fundação Padre Anchieta

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AFP/Tasso Marcelo
AFP/Tasso Marcelo

O Brasil como se sabe não é nação de fácil interpretação. Chego a ter compaixão dos ditos brasilianistas. Gente que formada em outras plagas baixa por aqui cheia de boas intenções e entrega. E acredito não cultivar esse sentimento sem razão. Ver o que se passa nestes trópicos e interpretar o que aqui se dá é uma coisa. Compreender, outra, bem mais complexa. Isso sem contar a mutação. Por certo o Brasil de hoje não é o Brasil de outros tempos. Tá aí o futebol pra comprovar. E se dúvida havia nesse sentido depois dos jogos das quartas de final do Campeonato Paulista devem ter caído por terra. O jogo de bola que encantava o torcedor agora o assombra. No pior dos sentidos. Ou não foram assombrosas as partidas que se deram? Talvez seja o caso de inocentar apenas a peleja entre Palmeiras e Novorizontino, desde que carreguemos conosco uma dose de complacência.

Gostaria muito que este amargor interpretativo fosse só um sintoma do saudosismo a que os anos nos condenam. O velho papo de que antigamente tudo era melhor. Mas não vem daí o meu desespero. Faz tempo aprendi com Tio Nelson que o futebol é só a coisa mais importante entre as coisas menos importantes. O que me aflige é a evidência de que o futebol segue sendo puro reflexo desse nosso catadão aqui, que ultrapassa os duzentos milhões. Nessa ladeira tem ido tudo o que nos é caro e necessário. Ou alguém aí da arquibancada seria capaz de levantar e gritar que não tem essa, que estou misturando as coisas, que socialmente estamos muito melhor do que futebolisticamente? Nada!

Não há setor em que possamos dizer "jogamos por música". Nossa justiça, por exemplo, joga sem velocidade alguma. E nesse marasmo tome contra ataque. Dias atrás, enfim, o Superior Tribunal de Justiça validou a troca de informações entre o Ministério Público Federal e o Departamento de Justiça dos EUA no caso FIFA. Isso um ano e meio depois da prisão dos dirigentes na Suíça. Não comemorem! Alguém duvida que a essa hora a defesa já tenha na cabeça uma tática armada pra dar mais uma travada no jogo?

Evidências de que as coisas aqui têm o padrão do futebol, infelizmente, não nos faltam. Nossa saúde, nossa (in)segurança, nossa política, que em matéria de involução tem deixado pra trás qualquer adversário. Nossos clubes, que sugados de seu poder nada falam ou fazem. E aí, inevitável, sempre me volta incômoda questão. Que paixão funda é essa que mesmo em face de tamanho desencanto não nos deixa parar de amar? Quem sabe algum brasilianista tenha a resposta. A verdade é tenho medo de perguntar porque ela pode vir óbvia e dilacerante: pra mudar... torcer já não basta, caro brasileiro!