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Jair Magri
Jair Magri

Lima Duarte é o convidado de estreia da segunda temporada do Persona em Foco, programa da TV Cultura que também comemora seu primeiro aniversário. Seu foco é o resgate da história de atores, diretores e autores que solidificaram os pilares das artes cênicas do Brasil. A primeira edição desta nova fase vai ao ar nesta terça-feira (5/7), às 23h30, com apresentação de Atílio Bari.

Na entrevista, Lima Duarte, aos 86 anos, conta passagens de seus 68 anos de carreira. Foram 127 trabalhos realizados e vários papéis emblemáticos que entraram para a história do teatro, televisão e cinema brasileiros. Estão como entrevistadores o produtor Mauro Giafrancesco e o crítico Jefferson Del Rio.

Lima relembra sua infância no povoado de Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e Santíssimo Sacramento, em Minas Gerais. Ele conta que sua mãe enfrentou vários preconceitos, pois queria ser atriz, era epilética e espírita. “Levaram-na para um centro espírita em Sacramento para ser tratada dos acessos epiléticos. Ela virou espírita e começou a trabalhar no teatrinho”. Ele conta que entrou para as artes quando começou a fazer teatro com ela, no centro espírita. E não esquece de um momento marcante na peça A ladra. “Minha mãe era a ladra e eu o filho da ladra. Teve um momento que eu olhei para a ladra e não era mais a ladra me olhando, e sim minha mãe, que via seu filho crescendo e tornando-se ator. Foi um momento lindo. Esse olhar tem me conduzindo e me trouxe até aqui”.

O ator, cujo nome verdadeiro é Ariclenes Venâncio Martins, explica que foi Oduvaldo Vianna que lhe deu a oportunidade como ator de radionovela, mas foi a mãe que deu o nome artístico. “Sugeriu Lima Duarte, nome do seu guia de luz”.

Sobre sua carreira no Teatro de Arena, Lima ressalta a importância do dramaturgo Chico de Assis. “Eu quero confessar uma coisa. Eu não existo. Lima Duarte é uma invenção de Chico de Assis. Chico de Assis é uma pessoa que amei com loucura e devaneio”.

De sua atuação na televisão, ele fala dos trabalhos como ator e diretor na TV Tupi, em O Direito de Nascer e Beto Rockfeller; depois, já na Globo, dirigiu O Bofe (1972). Como ator, seu trabalho foi firmado quando interpretou Zeca Diabo, em O Bem Amado. Também está viva na sua memória a criação de Sinhozinho Malta, em Roque Santeiro, e o personagem Sassá Mutema, em Salvador da Pátria. “Como boia fria, ele tocava nas flores e elas cresciam. Quando ele se torna senador da República, ele toca nas flores e elas morrem”.

Esta edição conta com depoimentos de diversos atores como Regina Duarte, Laura Cardoso, Lauro César Muniz, Luiz Gustavo, Ary Toledo e Maitê Proença. Esta lembra que o ator se emocionou ao saber que seu pai havia se matado e, durante uma gravação, diz: “Ele não conseguia lembrar as palavras e fazia grunhidos. E a cena foi ao ar. Mesmo sem palavras, ele consegue veicular todo sentimento humano. Ele é esta pessoa densa”,